Delineamento em Blocos Casualizados (DBC) e Delineamento em Quadrado Latino (DQL)
O problema central de DBC e DQL é o controle local. Em experimentos reais, as unidades experimentais raramente são homogêneas. Em campo agrícola, pode haver gradiente de fertilidade, umidade, inclinação ou luminosidade. Em experimentos com animais, pode haver diferenças de idade, peso, sexo, condição fisiológica, leitegada, baia ou período. Se essa heterogeneidade não for controlada, parte da variação ambiental entra no erro experimental e aumenta o quadrado médio do resíduo.
Os três princípios básicos envolvidos são:
Repetição: permite estimar a variabilidade experimental.
Casualização: protege contra vieses sistemáticos de alocação.
Controle local: agrupa unidades semelhantes em blocos ou controla fontes conhecidas de variação.
A ideia matemática é retirar do resíduo uma fonte sistemática de variação que não interessa diretamente ao pesquisador. Assim, se a blocagem for eficiente, o erro experimental diminui e o teste para tratamentos ganha precisão. O custo é a perda de graus de liberdade do resíduo, pois blocos, linhas e colunas também entram como fontes de variação na ANOVA.
Do ponto de vista de planejamento experimental, a decisão mais importante é reconhecer se a heterogeneidade é:
ausente ou desprezível: pode-se usar delineamento inteiramente casualizado;
dominante em uma direção ou fator: o DBC costuma ser adequado;
dominante em duas direções ou fatores cruzados: o DQL pode ser adequado, desde que suas restrições sejam viáveis.
O pesquisador deve lembrar que a casualização não corrige um delineamento mal escolhido. A aleatorização protege contra vieses de alocação, mas o controle local precisa ser coerente com a estrutura real da variabilidade.
Delineamento em Blocos Casualizados (DBC)
O DBC, também chamado de delineamento em blocos ao acaso ou blocos completos casualizados, é usado quando existe uma fonte principal de heterogeneidade a controlar. Cada bloco deve ser internamente homogêneo e deve conter todos os tratamentos.
Se há \(I\) tratamentos e \(J\) blocos, o número total de observações é:
\[
N = IJ
\]
Cada tratamento aparece uma vez em cada bloco no DBC completo sem repetição intra-bloco.
com independência, normalidade, homogeneidade de variâncias e aditividade. A aditividade significa que não há interação tratamento-bloco no modelo. Como há apenas uma observação por combinação tratamento-bloco, uma interação real não pode ser estimada separadamente e tende a contaminar o resíduo.
Decomposição da soma de quadrados
Defina:
\[
G = \sum_{i=1}^{I}\sum_{j=1}^{J}Y_{ij},
\qquad
C = \frac{G^2}{IJ},
\]
No DBC, a qualidade estatística do experimento depende da qualidade dos blocos. Um bloco deve ser formado por unidades experimentais que sejam tão semelhantes quanto possível quanto à fonte de variação que se deseja controlar. Entre blocos, pode haver grande heterogeneidade; dentro de blocos, não.
Exemplos de variáveis usadas para formar blocos:
fertilidade do solo;
declividade;
umidade;
distância a uma bordadura;
idade de animais;
peso inicial;
leitegada;
lote de matéria-prima;
dia de execução;
operador;
laboratório;
avaliador;
período de medição.
A pergunta operacional é:
\[
\text{Dentro de cada bloco, consigo comparar todos os tratamentos em condições semelhantes?}
\]
Se a resposta for sim, o DBC é uma boa opção. Se o bloco não comporta todos os tratamentos, o delineamento passa a ser de blocos incompletos, que exige outra análise. Se há duas fontes cruzadas de variação igualmente importantes, o DQL pode ser mais apropriado.
Aleatorização dos tratamentos no DBC
No DBC completo, a aleatorização é feita separadamente dentro de cada bloco. Essa é uma restrição deliberada: não se sorteiam todos os tratamentos em todas as parcelas do experimento como se fosse DIC; sorteia-se uma permutação dos tratamentos para cada bloco.
Procedimento manual:
Defina os tratamentos: por exemplo, \(A\), \(B\), \(C\), \(D\).
Defina os blocos: por exemplo, \(B_1,\ldots,B_6\).
Em cada bloco, numere as parcelas de \(1\) a \(a\).
Para o bloco \(B_1\), sorteie uma ordem aleatória dos \(a\) tratamentos.
Repita o sorteio de forma independente para \(B_2,\ldots,B_b\).
Registre o croqui antes da instalação do experimento.
Com \(a\) tratamentos, há \(a!\) possíveis ordens dentro de cada bloco. Com \(b\) blocos, se os sorteios forem independentes, há:
\[
(a!)^b
\]
possíveis alocações no DBC completo.
Exemplo de uma aleatorização possível para \(4\) tratamentos e \(6\) blocos:
Bloco
Parcela 1
Parcela 2
Parcela 3
Parcela 4
1
A
D
C
B
2
A
C
D
B
3
D
A
C
B
4
B
D
C
A
5
C
A
B
D
6
D
B
C
A
Esse croqui preserva a exigência fundamental: em cada bloco, todos os tratamentos aparecem uma vez.
bloco parcela_no_bloco tratamento
1 Bloco_1 1 A
2 Bloco_1 2 D
3 Bloco_1 3 C
4 Bloco_1 4 B
5 Bloco_2 1 A
6 Bloco_2 2 C
7 Bloco_2 3 D
8 Bloco_2 4 B
9 Bloco_3 1 D
10 Bloco_3 2 A
11 Bloco_3 3 C
12 Bloco_3 4 B
13 Bloco_4 1 B
14 Bloco_4 2 D
15 Bloco_4 3 C
16 Bloco_4 4 A
17 Bloco_5 1 C
18 Bloco_5 2 A
19 Bloco_5 3 B
20 Bloco_5 4 D
21 Bloco_6 1 D
22 Bloco_6 2 B
23 Bloco_6 3 C
24 Bloco_6 4 A
Para formar um croqui no formato de matriz, útil em campo:
Parcela_1 Parcela_2 Parcela_3 Parcela_4
Bloco_1 "A" "D" "C" "B"
Bloco_2 "A" "C" "D" "B"
Bloco_3 "D" "A" "C" "B"
Bloco_4 "B" "D" "C" "A"
Bloco_5 "C" "A" "B" "D"
Bloco_6 "D" "B" "C" "A"
Erros comuns no DBC
Formar blocos grandes demais, tornando as parcelas internas heterogêneas.
Confundir bloco com repetição quando há mais de uma repetição de tratamento dentro de bloco.
Sortear tratamentos uma única vez e repetir a mesma ordem em todos os blocos sem justificativa operacional.
Usar blocos para controlar uma característica que não está relacionada à resposta.
Ignorar a estrutura de blocos na análise, ajustando um modelo como se os dados fossem inteiramente casualizados.
Usar muitos tratamentos em cada bloco quando a homogeneidade dentro do bloco deixa de ser plausível.
Diagnóstico após a ANOVA no DBC
Após ajustar o modelo, não basta olhar o valor de \(F\). É necessário verificar:
resíduos versus valores ajustados, para avaliar homogeneidade de variância;
gráfico quantil-quantil dos resíduos, para avaliar normalidade aproximada;
resíduos por bloco, para detectar blocos problemáticos;
resíduos por tratamento, para detectar tratamentos com variância discrepante;
coerência agronômica, biológica ou operacional dos efeitos estimados.
Em R:
# Usando um objeto ajustado por aov, por exemplo: modelo_dbc# par(mfrow = c(2, 2))# plot(modelo_dbc)
O diagnóstico gráfico não substitui o conhecimento experimental. Um resíduo extremo deve ser investigado no caderno de campo, nos registros laboratoriais ou nos metadados de coleta.
Delineamento em Quadrado Latino (DQL)
O DQL é usado quando existem duas fontes de heterogeneidade a controlar. Essas fontes são representadas por linhas e colunas. Cada tratamento aparece exatamente uma vez em cada linha e exatamente uma vez em cada coluna.
Se há \(p\) tratamentos, o quadrado latino tem:
\[
p \text{ linhas},\quad p \text{ colunas},\quad p \text{ tratamentos},\quad p^2 \text{ observações}.
\]
com independência, normalidade, homogeneidade de variâncias e aditividade. No DQL, a aditividade é ainda mais crítica, pois não há graus de liberdade para estimar interações linha-tratamento, coluna-tratamento ou linha-coluna de forma ordinária.
Somas de quadrados
Defina:
\[
G = \sum Y_{ijk},
\qquad
C = \frac{G^2}{p^2}.
\]
Sejam \(L_i\), \(C_j\) e \(T_k\) os totais de linhas, colunas e tratamentos, respectivamente. Então:
O DQL deve ser usado com cautela quando \(p\) é pequeno:
Ordem do QL
GL do erro
\(3\times3\)
2
\(4\times4\)
6
\(5\times5\)
12
\(6\times6\)
20
Por isso, materiais da pasta recomendam atenção especial a QL \(3\times3\) e \(4\times4\), com alternativas como replicar quadrados latinos ou usar arranjos maiores quando possível.
Planejamento prático do DQL
O DQL é apropriado quando a unidade experimental pode ser classificada simultaneamente por dois critérios de controle local. Exemplos:
linha = animal, coluna = período;
linha = operador, coluna = máquina;
linha = lote de matéria-prima, coluna = operador;
linha = faixa de fertilidade norte-sul, coluna = faixa de fertilidade leste-oeste;
linha = provador, coluna = ordem de degustação;
linha = sala, coluna = horário;
linha = paciente, coluna = período terapêutico, quando houver resposta reversível e período de lavagem adequado.
A exigência estrutural é forte:
\[
\#\text{linhas} = \#\text{colunas} = \#\text{tratamentos} = p.
\]
Além disso:
\[
\text{cada tratamento aparece uma vez em cada linha e uma vez em cada coluna.}
\]
Essa propriedade é o que torna tratamentos ortogonais às duas fontes de controle local. Se o pesquisador quebrar essa regra, o delineamento deixa de ser um quadrado latino e a ANOVA clássica não se aplica.
Aleatorização dos tratamentos no DQL
No DQL, a casualização não é uma permutação livre das \(p^2\) parcelas. Uma permutação livre poderia colocar o mesmo tratamento duas vezes em uma linha ou coluna. A aleatorização deve preservar a restrição latina.
Um procedimento prático é:
Escolha um quadrado latino padrão de ordem \(p\).
Sorteie aleatoriamente a ordem das linhas.
Sorteie aleatoriamente a ordem das colunas.
Sorteie aleatoriamente a correspondência entre letras e tratamentos reais.
Se houver múltiplos quadrados latinos, sorteie também a ordem ou a estrutura dos quadrados usados.
Execute as observações em ordem operacionalmente viável, evitando introduzir confundimento adicional com horário, operador ou sequência de coleta.
Exemplo de quadrado latino padrão \(5\times5\):
Linha/Coluna
C1
C2
C3
C4
C5
L1
A
B
C
D
E
L2
B
C
D
E
A
L3
C
D
E
A
B
L4
D
E
A
B
C
L5
E
A
B
C
D
Após aleatorizar linhas, colunas e rótulos de tratamentos, uma possibilidade é:
Linha/Coluna
C1
C2
C3
C4
C5
L1
C
E
D
A
B
L2
E
D
A
B
C
L3
A
B
C
E
D
L4
D
A
B
C
E
L5
B
C
E
D
A
Esse segundo quadro continua sendo um quadrado latino: cada letra aparece uma vez em cada linha e uma vez em cada coluna.
[,1] [,2] [,3] [,4] [,5]
[1,] "E" "C" "D" "A" "B"
[2,] "C" "A" "B" "D" "E"
[3,] "B" "E" "A" "C" "D"
[4,] "A" "D" "E" "B" "C"
[5,] "D" "B" "C" "E" "A"
Verificação da propriedade latina:
apply(ql_aleatorizado, 1, function(x) sort(x))
[,1] [,2] [,3] [,4] [,5]
[1,] "A" "A" "A" "A" "A"
[2,] "B" "B" "B" "B" "B"
[3,] "C" "C" "C" "C" "C"
[4,] "D" "D" "D" "D" "D"
[5,] "E" "E" "E" "E" "E"
apply(ql_aleatorizado, 2, function(x) sort(x))
[,1] [,2] [,3] [,4] [,5]
[1,] "A" "A" "A" "A" "A"
[2,] "B" "B" "B" "B" "B"
[3,] "C" "C" "C" "C" "C"
[4,] "D" "D" "D" "D" "D"
[5,] "E" "E" "E" "E" "E"
Aleatorização quando linhas ou colunas são períodos
Quando colunas representam períodos, a aleatorização precisa ser compatível com a cronologia. Não se pode simplesmente executar o período 5 antes do período 1 se o desenho pressupõe seguimento temporal. Nesses casos:
sorteia-se a sequência de tratamentos dentro das restrições do QL;
respeita-se a ordem real dos períodos;
insere-se período de adaptação ou lavagem quando houver efeito residual;
registra-se qualquer perda de unidade experimental, especialmente em animais ou sujeitos humanos.
Em experimentos com animais, os materiais destacam que, se um animal morre no meio do experimento, o DQL pode ser inviabilizado, pois o mesmo animal deveria continuar nos períodos seguintes. Perdas no último período são menos graves e podem ser analisadas por modelos lineares gerais, mas a ANOVA balanceada clássica deixa de ser literalmente a mesma.
Erros comuns no DQL
Usar DQL apenas porque parece sofisticado, mesmo existindo só uma fonte de heterogeneidade.
Usar \(p=3\) ou \(p=4\) sem considerar que o erro terá poucos graus de liberdade.
Desrespeitar a regra de uma ocorrência por linha e por coluna.
Não controlar efeito residual entre períodos.
Tratar linhas e colunas como fatores de interesse primário quando elas são apenas controles locais.
Ignorar que não há replicação dentro de célula para estimar interações.
Confundir quadrado latino com uma tabela qualquer de tratamentos.
Diagnóstico após a ANOVA no DQL
Além dos diagnósticos usuais de resíduos, no DQL deve-se verificar:
se todas as linhas contêm todos os tratamentos uma vez;
se todas as colunas contêm todos os tratamentos uma vez;
se a ordem temporal não produziu efeito residual;
se alguma linha ou coluna tem comportamento incompatível com a hipótese de aditividade;
se o erro tem graus de liberdade suficientes para inferência confiável.
Em R:
# Usando um objeto ajustado por aov, por exemplo: modelo_dql# par(mfrow = c(2, 2))# plot(modelo_dql)
Diferenças entre DBC e DQL
Aspecto
DBC
DQL
Fonte de controle local
Uma fonte de variação, representada por blocos
Duas fontes de variação, representadas por linhas e colunas
Estrutura
Cada bloco contém todos os tratamentos
Cada tratamento aparece uma vez em cada linha e uma vez em cada coluna
Número de tratamentos
Flexível
Igual ao número de linhas e colunas
Número de observações
\(IJ\)
\(p^2\)
Repetições por tratamento
\(J\)
\(p\)
GL do erro
\((I-1)(J-1)\)
\((p-1)(p-2)\)
Casualização
Independente dentro de cada bloco
Restrita: deve preservar a estrutura latina
Uso típico
Campo agrícola com um gradiente dominante; animais agrupados por peso, idade, baia; laboratório por lote
Dois gradientes de campo; animal e período; máquina e dia; avaliador e ordem de prova
Principal vantagem
Simples, flexível e geralmente eficiente se os blocos forem homogêneos
Controla simultaneamente duas fontes de heterogeneidade
Principal limitação
Perde GL para blocos e exige homogeneidade dentro de blocos
Muito restritivo; poucos GL de erro em quadrados pequenos; exige aditividade forte
A escolha entre DBC e DQL depende da estrutura da heterogeneidade. Se há apenas um gradiente relevante, o DBC é mais simples e mais flexível. Se há duas fontes fortes e cruzadas de variação, o DQL pode reduzir muito o erro experimental, mas só é adequado se o pesquisador puder respeitar a exigência de número igual de tratamentos, linhas e colunas.
Critérios objetivos de decisão:
Pergunta
Se a resposta for sim
Delineamento mais provável
Há apenas uma fonte clara de heterogeneidade?
Sim
DBC
Cada bloco comporta todos os tratamentos?
Sim
DBC completo
Há duas fontes cruzadas de heterogeneidade?
Sim
DQL
O número de tratamentos é igual ao número de níveis das duas fontes de controle?
Sim
DQL possível
Há muitos tratamentos e blocos pequenos?
Sim
DBC pode ser inviável; considerar blocos incompletos
O mesmo animal, sujeito, máquina ou lote será observado em períodos sucessivos?
Sim
DQL ou desenho de medidas repetidas, com atenção a efeito residual
Há forte suspeita de interação tratamento-bloco, tratamento-linha ou tratamento-coluna?
Sim
DBC/DQL aditivos podem ser insuficientes
Os tratamentos têm efeito permanente ou destrutivo sobre a unidade?
Sim
Evitar DQL com períodos no mesmo indivíduo
Em termos de precisão, o controle local é vantajoso quando:
em magnitude suficiente para compensar a perda de graus de liberdade. Se os blocos, linhas ou colunas não explicam variabilidade relevante, o pesquisador paga o custo em graus de liberdade sem ganhar precisão.
Exemplos Práticos
Os exemplos abaixo têm duas naturezas:
extraídos ou diretamente ancorados nos materiais: aparecem nos PDFs como exemplos, croquis, aplicações ou exercícios;
exemplos de planejamento alinhados à teoria: não usam dados inventados, mas mostram como aplicar DBC ou DQL em diferentes áreas.
Em todos eles, a pergunta central é: qual fonte de variação será controlada pelo delineamento?
Exemplos de uso do DBC
DBC 1: bananeira cv. Nanicão
Banzatto & Kronka apresentam um planejamento em bananeira cv. Nanicão para avaliar sistemas de condução baseados no número e época de manutenção de rebentos. O delineamento é em blocos casualizados com 8 tratamentos e 5 repetições. Cada parcela tem 10 touceiras, espaçadas em \(2{,}5 \times 2{,}0\) m, com área de \(50\,m^2\). O experimento totaliza:
\[
8 \times 5 = 40 \text{ parcelas}
\]
e
\[
40 \times 10 = 400 \text{ plantas}.
\]
O esquema de ANOVA é:
Fonte
GL
Tratamentos
7
Blocos
4
Resíduo
28
Total
39
Aleatorização: em cada um dos 5 blocos, os 8 sistemas de condução são sorteados nas 8 parcelas. A ordem sorteada em um bloco não precisa coincidir com a ordem dos demais blocos.
DBC 2: cultivares de cana-de-açúcar
Os materiais usam o exemplo de competição de cultivares de cana-de-açúcar em blocos casualizados. Suponha 5 cultivares e 5 blocos.
Elemento
Definição
Tratamentos
Cultivares de cana
Unidade experimental
Parcela de campo
Blocos
Faixas homogêneas de solo
Resposta
Produtividade, teor de açúcar, biomassa
Aleatorização
Sorteio das 5 cultivares dentro de cada bloco
Esse exemplo é típico de DBC porque uma faixa de solo pode ser mais fértil que outra. A comparação entre cultivares deve ocorrer dentro de cada faixa homogênea.
DBC 3: fontes ou doses de adubação em soja
Elemento
Definição
Tratamentos
Doses ou fontes de adubo
Unidade experimental
Parcela de soja
Blocos
Faixas de fertilidade ou declividade
Resposta
Produtividade, massa de grãos, teor foliar
Justificativa
O solo é heterogêneo em uma direção dominante
Aleatorização: se houver 6 doses e 4 blocos, cada bloco recebe as 6 doses em ordem sorteada. A ANOVA terá \(5\) GL para tratamentos, \(3\) GL para blocos e \(15\) GL para erro.
DBC 4: inseticidas no controle de pragas
Elemento
Definição
Tratamentos
Inseticidas ou doses
Unidade experimental
Parcela infestada
Blocos
Faixas com nível inicial semelhante de infestação
Resposta
Número de insetos, dano foliar, produtividade
Justificativa
A infestação inicial pode variar no campo
Esse caso se conecta diretamente ao princípio de casualização discutido nos materiais: sem sorteio, um inseticida poderia parecer melhor apenas por ter sido alocado em parcelas menos infestadas.
DBC 5: métodos de semeadura de mamoeiro
Banzatto & Kronka apresentam exemplo com métodos de semeadura de mamoeiro. Em planejamento DBC, os tratamentos podem ser métodos de formação de mudas ou semeadura direta, e os blocos controlam heterogeneidade ambiental entre áreas.
Elemento
Definição
Tratamentos
Métodos de semeadura ou formação de mudas
Unidade experimental
Parcela com plantas de mamoeiro
Blocos
Faixas homogêneas de campo
Resposta
Altura, sobrevivência, desenvolvimento inicial
Aleatorização
Sorteio dos métodos dentro de cada bloco
DBC 6: irrigação em cultura anual
Elemento
Definição
Tratamentos
Lâminas de irrigação
Unidade experimental
Parcela irrigada
Blocos
Posição no campo ou faixa de textura do solo
Resposta
Produtividade, eficiência do uso da água
Risco sem blocagem
Confundir efeito da lâmina com capacidade de retenção de água
DBC 7: competição de cultivares de milho
Elemento
Definição
Tratamentos
Cultivares ou híbridos
Unidade experimental
Parcela de milho
Blocos
Gradiente de fertilidade, umidade ou declividade
Resposta
Produtividade, altura de plantas, acamamento
Aleatorização
Cada cultivar sorteada uma vez dentro de cada bloco
Esse é um dos usos mais clássicos do DBC em experimentação agronômica.
DBC 8: correção do solo e calagem
Elemento
Definição
Tratamentos
Doses de calcário ou corretivos
Unidade experimental
Parcela agrícola
Blocos
Faixas com pH ou saturação por bases semelhantes
Resposta
pH final, produtividade, disponibilidade de nutrientes
Justificativa
A fertilidade inicial do solo pode gerar variação sistemática
DBC 9: rações para suínos
Sonia Vieira apresenta exemplo de blocos completos com suínos agrupados por peso. O raciocínio é:
Elemento
Definição
Tratamentos
Promotores de crescimento ou rações
Unidade experimental
Animal ou baia
Blocos
Grupos de suínos com pesos iniciais próximos
Resposta
Ganho de peso, conversão alimentar
Aleatorização
Sorteio dos tratamentos dentro de cada grupo de peso
O peso inicial é uma fonte forte de variação. Bloquear por peso evita comparar uma ração aplicada a animais maiores com outra aplicada a animais menores.
DBC 10: nutrição de aves
Elemento
Definição
Tratamentos
Níveis de proteína, energia ou aditivo
Unidade experimental
Boxe com aves
Blocos
Fileiras do galpão ou posição em relação à ventilação
Resposta
Ganho de peso, consumo, conversão alimentar
Justificativa
Temperatura e ventilação variam dentro do galpão
DBC 11: aquicultura
Elemento
Definição
Tratamentos
Dietas, densidades de estocagem ou probióticos
Unidade experimental
Tanque ou viveiro
Blocos
Setor do sistema hidráulico ou gradiente de renovação de água
Resposta
Crescimento, sobrevivência, conversão alimentar
Aleatorização
Tratamentos sorteados entre tanques dentro de cada setor
DBC 12: bovinos leiteiros com blocos por produção inicial
Elemento
Definição
Tratamentos
Suplementos alimentares
Unidade experimental
Vaca ou grupo de vacas
Blocos
Produção pré-experimental, ordem de parto ou estágio de lactação
Resposta
Produção de leite, composição do leite
Justificativa
Animais com maior produção inicial tendem a manter maior produção
Quando a mesma vaca recebe vários tratamentos em períodos sucessivos, o delineamento pode migrar para DQL ou medidas repetidas. Se cada animal recebe apenas um tratamento, o DBC por produção inicial é mais simples.
DBC 13: avaliação sensorial de cafés
Sonia Vieira apresenta exemplo de prova de xícara com degustadores como blocos.
Elemento
Definição
Tratamentos
Tipos de café
Unidade experimental
Amostra servida ao degustador
Blocos
Degustadores
Resposta
Nota sensorial
Aleatorização
Ordem dos cafés sorteada separadamente para cada degustador
Esse exemplo é muito importante didaticamente: o degustador é uma fonte de variação, pois alguns avaliadores tendem a dar notas maiores ou menores. Bloquear por degustador melhora a comparação entre cafés.
DBC 14: vinhos avaliados por juízes
Elemento
Definição
Tratamentos
Vinhos, safras ou métodos de vinificação
Unidade experimental
Taça codificada
Blocos
Juízes
Resposta
Nota global, aroma, acidez, corpo
Aleatorização
Cada juiz recebe os vinhos em ordem sorteada
Quando a ordem de prova também é importante, pode-se considerar DQL com juiz e ordem como controles.
DBC 15: ensaio clínico bloqueado por estágio da doença
Taback discute blocagem em estudos com pacientes por estágio da doença. Em um DBC ou randomização em blocos:
Elemento
Definição
Tratamentos
Terapias ou doses
Unidade experimental
Paciente
Blocos
Estágio da doença, centro clínico ou faixa de risco
Resposta
Sobrevida, resposta clínica, biomarcador
Aleatorização
Sorteio dos tratamentos dentro de cada estrato
A blocagem impede que um tratamento receba, por acaso, maior proporção de pacientes em estágio mais leve.
DBC 16: dermatologia com lesões no mesmo paciente
Elemento
Definição
Tratamentos
Cremes, pomadas ou curativos
Unidade experimental
Lesão ou área cutânea
Blocos
Paciente
Resposta
Redução da lesão, escore inflamatório
Justificativa
Pacientes diferem em genética, imunidade e hábitos
Cada paciente pode receber todos os tratamentos em regiões comparáveis, com sorteio da alocação dentro de paciente.
DBC 17: oftalmologia com olhos pareados
Elemento
Definição
Tratamentos
Colírios ou procedimentos
Unidade experimental
Olho
Blocos
Paciente
Resposta
Pressão intraocular, acuidade, inflamação
Aleatorização
Sorteio de qual olho recebe qual tratamento
Com dois tratamentos e dois olhos, o DBC se aproxima de um delineamento pareado.
DBC 18: indústria têxtil com rolos de tecido
Montgomery apresenta exercícios e exemplos de blocagem com materiais. Um planejamento típico:
Elemento
Definição
Tratamentos
Produtos químicos, acabamentos ou processos
Unidade experimental
Amostra de tecido
Blocos
Rolo ou lote de tecido
Resposta
Resistência, encolhimento, cor
Aleatorização
Aplicar todos os tratamentos em ordem sorteada dentro de cada rolo
O rolo é bloco porque amostras do mesmo rolo são mais semelhantes entre si do que amostras de rolos diferentes.
DBC 19: indústria química com lotes de matéria-prima
Elemento
Definição
Tratamentos
Catalisadores, temperaturas ou formulações
Unidade experimental
Batelada experimental
Blocos
Lote de matéria-prima
Resposta
Rendimento, pureza, tempo de reação
Justificativa
Lotes de matéria-prima podem ter composição ligeiramente diferente
DBC 20: laboratório analítico com operadores
Elemento
Definição
Tratamentos
Métodos analíticos
Unidade experimental
Amostra analisada
Blocos
Operador ou dia
Resposta
Concentração estimada, erro, tempo de análise
Aleatorização
Ordem dos métodos sorteada dentro de operador ou dia
Se operador e dia forem simultaneamente importantes e tiverem o mesmo número de níveis que os métodos, pode-se considerar DQL.
DBC 21: educação com escolas como blocos
Elemento
Definição
Tratamentos
Métodos de ensino
Unidade experimental
Turma
Blocos
Escola ou faixa de desempenho inicial
Resposta
Ganho em teste padronizado
Justificativa
Escolas diferem em infraestrutura e perfil socioeconômico
DBC 22: psicologia experimental com sujeitos como blocos
Elemento
Definição
Tratamentos
Interfaces, estímulos ou tarefas
Unidade experimental
Sessão/tarefa aplicada a um sujeito
Blocos
Sujeito
Resposta
Tempo de reação, acurácia, escore
Aleatorização
Ordem dos estímulos sorteada dentro de sujeito
Se a ordem da tarefa é uma segunda fonte importante, um DQL com sujeito e ordem pode ser mais adequado.
DBC 23: ciência ambiental com transectos
Elemento
Definição
Tratamentos
Métodos de recuperação ambiental
Unidade experimental
Parcela em área degradada
Blocos
Transectos com condições semelhantes
Resposta
Cobertura vegetal, erosão, biodiversidade
Aleatorização
Tratamentos sorteados dentro de cada transecto
DBC 24: armazenamento pós-colheita
Elemento
Definição
Tratamentos
Embalagens ou atmosferas de armazenamento
Unidade experimental
Lote de frutos
Blocos
Dia de colheita ou talhão de origem
Resposta
Perda de massa, firmeza, teor de sólidos solúveis
Justificativa
Frutos colhidos em dias ou talhões diferentes podem ter maturação distinta
Exemplos de uso do DQL
DQL 1: cinco tratamentos em cinco animais e cinco períodos
O exemplo numérico de Estatística experimental na agropecuária usa 5 animais nas linhas, 5 períodos nas colunas e 5 tratamentos. Cada animal recebe todos os tratamentos uma vez ao longo dos períodos, e cada período contém todos os tratamentos uma vez.
Elemento
Definição
Linhas
Animais
Colunas
Períodos
Tratamentos
A, B, C, D, E
Resposta
Medida biológica ou produtiva
Restrição
Evitar efeito residual entre períodos
DQL 2: cana-de-açúcar com dois gradientes no campo
Sonia Vieira apresenta exemplo conceitual de quadrado latino em agricultura para variedades de cana-de-açúcar sob duas direções de heterogeneidade.
Elemento
Definição
Linhas
Faixas em uma direção do campo
Colunas
Faixas na direção perpendicular
Tratamentos
Variedades ou fórmulas de fertilização
Resposta
Produtividade, teor de açúcar
Justificativa
Fertilidade ou umidade variam em duas direções
DQL 3: adubação em soja
Banzatto & Kronka citam experimento em quadrado latino com 5 níveis de adubação para soja.
Elemento
Definição
Linhas
Gradiente de solo 1
Colunas
Gradiente de solo 2
Tratamentos
5 níveis de adubação
Resposta
Produtividade da soja
ANOVA
Tratamentos, linhas, colunas, resíduo
DQL 4: casa de vegetação com luz e temperatura
Elemento
Definição
Linhas
Faixas de luminosidade
Colunas
Faixas de temperatura ou ventilação
Tratamentos
Substratos, doses ou cultivares
Resposta
Crescimento, massa seca, área foliar
Justificativa
Bancadas de casa de vegetação frequentemente têm gradientes cruzados
DQL 5: vacas leiteiras, rações e períodos
Elemento
Definição
Linhas
Vacas
Colunas
Períodos
Tratamentos
Rações ou suplementos
Resposta
Produção de leite, gordura, proteína
Cuidados
Período pré-experimental e período de lavagem
Esse é um caso clássico quando os animais são caros e poucos. A repetição no tempo compensa a baixa disponibilidade de unidades, mas exige resposta reversível.
DQL 6: equinos com suplementos
Elemento
Definição
Linhas
Animais
Colunas
Períodos de avaliação
Tratamentos
Suplementos ou dietas
Resposta
Desempenho, frequência cardíaca, recuperação
Restrição
Não usar se o tratamento tiver efeito permanente prolongado
DQL 7: avaliação sensorial com provadores e ordem de apresentação
Elemento
Definição
Linhas
Provadores
Colunas
Ordem de degustação
Tratamentos
Amostras de café, vinho, queijo ou suco
Resposta
Nota sensorial
Justificativa
Controla diferenças entre provadores e efeito de ordem/fadiga
O DBC com provador como bloco controla apenas diferença entre provadores. O DQL controla também a posição da amostra na sequência de degustação.
DQL 8: indústria com formulações, lotes e operadores
Montgomery apresenta a lógica de DQL com formulações de propelente, lotes de matéria-prima e operadores.
Elemento
Definição
Linhas
Lotes ou bateladas de matéria-prima
Colunas
Operadores
Tratamentos
Formulações
Resposta
Taxa de queima, rendimento, pureza
Justificativa
Controla duas fontes de variação de processo
DQL 9: máquinas, dias e operadores
Sonia Vieira apresenta exemplo em que operadores, máquinas e dias da semana aparecem em arranjo de quadrado latino.
Elemento
Definição
Linhas
Máquinas
Colunas
Dias
Tratamentos
Operadores ou métodos operacionais
Resposta
Itens produzidos, defeitos, tempo de ciclo
Justificativa
Máquinas e dias podem afetar produção
DQL 10: laboratório com métodos, técnicos e dias
Elemento
Definição
Linhas
Técnicos
Colunas
Dias
Tratamentos
Métodos de análise
Resposta
Erro analítico, recuperação, tempo
Aleatorização
Cada método aparece uma vez por técnico e uma vez por dia
DQL 11: estudo de interfaces com usuários e ordem de uso
Elemento
Definição
Linhas
Usuários
Colunas
Ordem da tarefa
Tratamentos
Interfaces ou layouts
Resposta
Tempo de conclusão, erro, satisfação
Justificativa
Controla diferenças entre usuários e efeito de aprendizagem/fadiga
DQL 12: educação com turmas e semanas
Elemento
Definição
Linhas
Turmas
Colunas
Semanas ou módulos
Tratamentos
Estratégias didáticas
Resposta
Desempenho em avaliações curtas
Cuidados
Evitar aprendizagem cumulativa que contamine tratamentos seguintes
Se o efeito de uma estratégia de ensino persistir por muitas semanas, o DQL pode ser inadequado.
DQL 13: fisiologia do exercício
Elemento
Definição
Linhas
Atletas
Colunas
Sessões
Tratamentos
Protocolos de aquecimento
Resposta
Potência, tempo, frequência cardíaca
Cuidados
Intervalo suficiente entre sessões
DQL 14: agricultura de precisão com talhão em duas direções
Elemento
Definição
Linhas
Faixas por coordenada norte-sul
Colunas
Faixas por coordenada leste-oeste
Tratamentos
Doses de insumo ou cultivares
Resposta
Produtividade georreferenciada
Justificativa
Controla variação espacial em duas direções
DQL 15: armazenamento com câmaras e períodos
Elemento
Definição
Linhas
Câmaras ou prateleiras
Colunas
Períodos
Tratamentos
Embalagens ou atmosferas
Resposta
Perda de massa, firmeza, cor
Cuidados
Tratamentos destrutivos não devem voltar à mesma unidade
DQL 16: odontologia com materiais restauradores
Elemento
Definição
Linhas
Pacientes ou blocos dentários comparáveis
Colunas
Posição ou período
Tratamentos
Materiais restauradores
Resposta
Resistência, desgaste, sensibilidade
Cuidados
A resposta precisa ser comparável entre posições ou períodos
DQL 17: avaliação de fragrâncias no varejo
Elemento
Definição
Linhas
Lojas
Colunas
Horários ou dias
Tratamentos
Fragrâncias ambientais
Resposta
Tempo de permanência, vendas, avaliação do consumidor
Justificativa
Controla diferenças entre lojas e horários
DQL 18: testes de software com avaliadores e ordem de tarefa
Elemento
Definição
Linhas
Avaliadores
Colunas
Ordem de execução
Tratamentos
Versões de interface, fluxos ou ferramentas
Resposta
Tempo, erro, carga cognitiva
Justificativa
Controla habilidade individual e efeito de aprendizagem
Comparação didática dos exemplos
Situação
Melhor candidato
Por quê
Cultivares em faixas de solo
DBC
Uma fonte dominante: fertilidade
Cultivares em dois gradientes cruzados
DQL
Duas fontes espaciais
Cafés avaliados por degustadores
DBC
Degustador é bloco
Cafés avaliados com efeito de ordem
DQL
Degustador e ordem são controles
Rações com animais agrupados por peso
DBC
Peso inicial é uma fonte
Rações nos mesmos animais ao longo de períodos
DQL
Animal e período são controles
Formulações com lote de matéria-prima
DBC
Lote é bloco
Formulações com lote e operador
DQL
Duas fontes de variação
Terapias em pacientes estratificados por estágio
DBC
Estágio é bloco/estrato
Tratamentos reversíveis aplicados em sujeitos e períodos
DQL
Sujeito e período são controles
Resolução de Exercícios
Exercício 1: DBC com Promalin em macieira
Dados extraídos de Banzatto & Kronka. O experimento avaliou 5 tratamentos de aplicação de Promalin em macieiras, com 4 blocos. A resposta é o peso médio dos frutos, em gramas.
Tratamento
Bloco 1
Bloco 2
Bloco 3
Bloco 4
Total
1
142,4
144,8
145,2
138,9
571,3
2
139,3
137,8
144,4
130,6
552,1
3
140,7
134,1
136,1
144,1
555,0
4
150,9
135,8
137,0
136,4
560,1
5
153,5
165,0
151,8
150,2
620,5
Total dos blocos
726,8
717,5
714,5
700,2
2859,0
Temos:
\[
I=5,\quad J=4,\quad N=20,\quad G=2859{,}0.
\]
O fator de correção é:
\[
C = \frac{G^2}{N}
=
\frac{2859^2}{20}
=
408694{,}05.
\]
rejeita-se \(H_0\) para tratamentos ao nível de 1%. Há evidência de que as formas de aplicação do Promalin alteram o peso médio dos frutos. Para blocos,
\[
F_{Blocos}=0{,}72 < F_{0{,}95;3,12}=3{,}49,
\]
não há evidência estatística de efeito de blocos nesse conjunto.
Código R executável:
promalin <-data.frame(trat =factor(rep(1:5, each =4)),bloco =factor(rep(1:4, times =5)),y =c(142.4, 144.8, 145.2, 138.9,139.3, 137.8, 144.4, 130.6,140.7, 134.1, 136.1, 144.1,150.9, 135.8, 137.0, 136.4,153.5, 165.0, 151.8, 150.2 ))modelo_dbc <-aov(y ~ trat + bloco, data = promalin)anova(modelo_dbc)
Analysis of Variance Table
Response: y
Df Sum Sq Mean Sq F value Pr(>F)
trat 4 794.79 198.697 5.8929 0.007334 **
bloco 3 72.91 24.302 0.7207 0.558616
Residuals 12 404.61 33.718
---
Signif. codes: 0 '***' 0.001 '**' 0.01 '*' 0.05 '.' 0.1 ' ' 1
Dados extraídos de Estatística experimental na agropecuária. Há 5 animais, 5 períodos e 5 tratamentos. A resposta é fictícia, usada para ilustrar a análise.
rejeita-se \(H_0\) ao nível de 1%. Há diferença estatisticamente significativa entre tratamentos. Linhas e colunas não foram significativas nesse exemplo, mas continuam fazendo parte do delineamento porque são restrições de controle local.
Pelo resultado do material, o tratamento B forma o grupo superior; D é intermediário; A, C e E ficam no grupo inferior ou estatisticamente semelhante ao inferior, conforme o teste de Tukey a 5%.
Exercício 3: construir a aleatorização de um DBC
Planeje a casualização de um DBC com 4 tratamentos (\(A\), \(B\), \(C\), \(D\)) e 6 blocos. Cada bloco contém 4 parcelas.
Passo 1: defina o número total de unidades experimentais:
\[
N = IJ = 4 \times 6 = 24.
\]
Passo 2: dentro de cada bloco, sorteie uma permutação dos 4 tratamentos.
Passo 3: verifique que cada tratamento aparece exatamente uma vez em cada bloco.
bloco parcela tratamento
1 B1 P1 A
2 B1 P2 D
3 B1 P3 C
4 B1 P4 B
5 B2 P1 A
6 B2 P2 C
7 B2 P3 D
8 B2 P4 B
9 B3 P1 D
10 B3 P2 A
11 B3 P3 C
12 B3 P4 B
13 B4 P1 B
14 B4 P2 D
15 B4 P3 C
16 B4 P4 A
17 B5 P1 C
18 B5 P2 A
19 B5 P3 B
20 B5 P4 D
21 B6 P1 D
22 B6 P2 B
23 B6 P3 C
24 B6 P4 A
xtabs(~ bloco + tratamento, data = croqui_dbc)
tratamento
bloco A B C D
B1 1 1 1 1
B2 1 1 1 1
B3 1 1 1 1
B4 1 1 1 1
B5 1 1 1 1
B6 1 1 1 1
Conclusão operacional: a tabela de contingência deve conter apenas valores 1. Isso confirma que, em cada bloco, todos os tratamentos aparecem uma vez.
Se a tabela apresentar valor 0 ou 2 em algum bloco, o croqui não é um DBC completo.
Exercício 4: construir a aleatorização de um DQL
Planeje um DQL \(5\times5\) para 5 tratamentos (\(A\), \(B\), \(C\), \(D\), \(E\)). Use linhas e colunas como dois controles locais.
Passo 1: comece com um quadrado latino padrão:
\[
\begin{matrix}
A & B & C & D & E\\
B & C & D & E & A\\
C & D & E & A & B\\
D & E & A & B & C\\
E & A & B & C & D
\end{matrix}
\]
Passo 2: sorteie linhas, colunas e rótulos dos tratamentos.
Passo 3: verifique que cada linha e cada coluna contém os 5 tratamentos uma única vez.
Conclusão operacional: todos os valores de verifica_linhas e verifica_colunas devem ser TRUE. Isso confirma que a casualização preservou a estrutura latina.
Exercício 5: decidir entre DBC e DQL
Para cada situação, indique o delineamento mais adequado:
Situação
Fonte(s) de heterogeneidade
Delineamento indicado
6 cultivares em campo com gradiente de fertilidade em uma direção
Fertilidade
DBC
5 adubos em campo com gradiente norte-sul e leste-oeste
Duas direções do solo
DQL
4 cafés avaliados por 12 degustadores, sem preocupação com ordem
Degustador
DBC
4 cafés avaliados por 4 degustadores em 4 posições de ordem
Degustador e ordem
DQL
5 rações testadas em 5 vacas ao longo de 5 períodos
Animal e período
DQL
5 rações testadas em grupos independentes de animais formados por peso inicial
Peso inicial
DBC
4 formulações testadas em 4 lotes de matéria-prima
Lote
DBC
4 formulações testadas em 4 lotes e 4 operadores
Lote e operador
DQL
Justificativa: o DBC controla uma fonte de heterogeneidade; o DQL controla duas. Quando houver períodos e tratamentos com possível efeito residual, a decisão estatística deve ser subordinada à viabilidade biológica ou operacional.
Exercício 6: checar pressupostos nos exemplos ajustados
Para o DBC de Promalin e o DQL \(5\times5\), os modelos ajustados por aov() permitem inspeção gráfica dos resíduos:
# Diagnóstico do DBCpar(mfrow =c(2, 2))plot(modelo_dbc)
# Diagnóstico do DQLpar(mfrow =c(2, 2))plot(modelo_dql)
par(mfrow =c(1, 1))
Interpretação:
No gráfico resíduos versus ajustados, procura-se ausência de padrão sistemático.
No Q-Q plot, procura-se aderência aproximada dos resíduos à reta.
No gráfico escala-localização, procura-se dispersão relativamente constante.
Pontos extremos devem ser confrontados com anotações de campo ou laboratório.
Se os pressupostos falham fortemente, alternativas incluem transformação da resposta, modelo linear generalizado, modelo misto, análise não paramétrica ou revisão do delineamento.
Conclusão
DBC e DQL são delineamentos baseados no mesmo princípio: remover do erro experimental fontes conhecidas de variação que não são o foco da pesquisa. O DBC controla uma fonte de heterogeneidade por meio de blocos completos e casualização dentro de cada bloco. O DQL amplia essa lógica para duas direções de controle, usando linhas e colunas ortogonais aos tratamentos.
O ganho de precisão só ocorre quando o controle local realmente reduz a variabilidade residual. Caso contrário, há apenas perda de graus de liberdade. Por isso, a decisão estatística começa antes da ANOVA: começa na identificação correta das fontes de heterogeneidade, na montagem do campo ou laboratório, na casualização e na garantia de que as pressuposições do modelo aditivo são plausíveis.
Em síntese: use DBC quando houver uma fonte dominante de variação a controlar; use DQL quando houver duas fontes cruzadas e fortes de variação, desde que a restrição de número igual de tratamentos, linhas e colunas seja experimentalmente viável. Em ambos os casos, a aleatorização deve respeitar a estrutura do delineamento: no DBC, sorteia-se dentro de blocos; no DQL, sorteiam-se linhas, colunas e rótulos preservando a propriedade latina.